Solos e nutrição das plantas

A importância do solo:

Metade do corpo da planta cresce e vive fora do alcance dos nossos olhos: a importante parte radicular da planta que vive sob a terra. O solo é muito mais do que um suporte para as raízes, é o meio em que se desenrolam todos os processos relacionados com a nutrição das plantas, daí que seja um factor muito importante na saúde da planta.
Ele é o meio em que o complexo processo de reciclagem da matéria orgânica ocorre, através da actividade de uma pequena multidão de seres vivos. As diferentes condições possíveis num solo influem o decorrer deste processo, e a forma como as raízes crescem, portanto influem em todo o crescimento e saúde da planta.
Caracteríticas dos solos:
Os factores mais vulgarmente considerados para definir as características de um solo são a natureza da matéria mineral e o teor em matéria orgânica, de que dependem todas as outras características: estrutura (mais ou menos porosa), pH, capacidade de retenção de água, etc. A fracção mineral do solo depende do tipo de rocha que lhe deu origem, influindo directamente no tipo de elementos minerais que o compôem. Este é um factor que não podemos modificar, a não ser que troquemos a camada de solo em que as plantas crescem, o que em termos práticos é muito difícil de fazer em profundidade.

O teor em matéria orgânica é o factor sobre o qual podemos gradualmente actuar através da adição continuada desta. A componente que melhores propriedades confere a um solo é o húmus, a fracção de matéria orgânica estável. O húmus resulta da decomposição de matérias orgânicas de origem vegetal e a sua formação é um processo que depende do tipo de matéria orgânica em decomposição e da actividade biológica do solo. A melhor forma de aumentar o seu teor é a adição de composto de boa qualidade ao solo.

Legenda: na imagem da esquerda podemos ver o aspecto de um bom solo orgânico, de cor escura e estrutura solta, embora coesa. Este solo foi cultivado durante décadas, senão séculos, com adições regulares de matéria orgânica sob a forma de estrumes e restos culturais. Na imagem do meio vemos o aspecto da folhada de carvalho em decomposição, notando-se na foto da direita, esta folhada já bem humificada.
Legenda: este solo pouco cuidado de um eucaliptal tem todas as características de um solo imaturo: uma fina camada superficial de manta morta que se decompõe com dificuldade (as populações microbiológicas dos nossos solos decompõem com mais facilidade resíduos de plantas autóctones, ou filogenéticamente mais próximas) e uma camada inferior com grande percentagem de rocha mãe, e baixa percentagem em matéria orgânica. Este tipo de solos ocorre frequentemente como consequência de mobilizações profundas dos solos florestais, com a inversão das camadas do solo, e consequente perda da camada superficial, mais rica em húmus.

A matéria orgânica do solo permite compensar alguns factores do solo que podem ser adversos ao desenvolvimento das raízes, como pH excessivamente ácido ou alcalino, e estrutura demasiado pesada (normalmente devida a altos teores em argila) e pouco porosa. Não é muito frequente termos disponível um bom solo, rico em húmus e profundo, até porque frequentemente os solos são revolvidos na construção de habitações ou outras obras, perdendo-se a camada superficial mais rica. Para compensar isto, sempre que possível deve-se tentar aumentar gradualmente o teor em matéria orgânica do solo, seja através da adição de composto, seja pela adição de outras matérias orgânicas, mais ou menos decompostas, cujo processo de decomposição terminará no solo.

No entanto muitas vezes é também necessário adaptar as plantas a instalar, no caso de os solos serem menos adequados. Para isso é necessário também conhecer as exigências das plantas, nomeadamente no que diz respeito à estrutura do solo (mais ou menos pesado) e ao seu pH, e evitar plantas com exigências diferentes do tipo de solos de que se dispõe.

A fertilização 

Em termos técnicos considera-se  que a fertilização é o enriquecimento do solo com vista a nutrir a planta. Os fertilizantes são frequentemente divididos em correctivos e adubos com base nos teores em nutrientes e percentagem de matéria orgânica. Na prática os correctivos tendem a enriquecer o teor de matéria orgânica estável do solo – o húmus, enquanto que a adubação é o fornecimento de nutrientes à planta de uma forma mais directa, sem passar pelos processos de humuficação e degradação do húmus.

 A utilização ou não de adubos químicos tem sido objecto de discussão, principalmente por parte dos movimentos ligados às várias formas de agricultura ecológica. Além de boicotarem os processos naturais de circulação de elementos no solo, os adubos são sintetizados por processos consumidores de grandes quantidades de energia, portanto também eles dependentes do consumo de energia fóssil.

Por outro lado, a utilização de nutrientes solúveis (que não passam pela estabilização dos processos de decomposição orgânica) em grandes quantidades, pode provocar a absorção excessiva por parte das plantas, principalmente do azoto, o que causa o conhecido problema do excesso de nitratos em algumas hortícolas.

Esta discussão, no entanto pode-se estender à utilização de adubos orgânicos, que apesar de não serem provenientes de síntese química, têm na mesma uma parte considerável de elementos solúveis, que poderá ser absorvida em excesso, ou lixiviada pelas chuvas, e portanto desperdiçada. Estes adubos poderão também requerer uma quantidade considerável de energia nos processos de recolha e tratamento, (peletização), embalagem e transporte a longas distâncias (normalmente são sintetizados a partir de excrementos animais). Embora as quantidades de energia requeridas sejam muito menores do que as necessárias para a síntese dos adubos químicos, algumas reservas poderão ser colocadas em relação à sustentabilidade dos processos, tanto de fabricação como de utilização.

A forma de fertilização mais aconselhada em jardinagem, horticultura ou agricultura biológicas, é a fertilização à base de composto produzido localmente, no entanto em termos práticos, a fertilização apenas à base de composto é bastante difícil para quem faz jardinagem ou horticultura como hobbie, ou mesmo para a maioria dos agricultores ou horticultores profissionais. A elaboração de composto é um processo que, para ser levado a cabo com sucesso, requer alguma aprendizagem, disponibilidade em espaço e matérias primas.

A forma de fertilização é por isso uma prática a ser cuidadosamente ponderada em qualquer tipo em jardinagem ou horticultura ecológicas, principalmente no que diz respeito às quantidades e à proporção dos vários tipos de fertilizantes utilizados.

Algumas formas de fertilização orgânica:

Composto e compostagem:

A compostagem é um processo controlado de transformar matéria orgânica bruta em húmus. Sendo um processo complexo, a fabricação de bom composto é uma arte comparável à culinária, uma vez que a qualidade do produto final depende do tipo de ingredientes utilizado e da forma como foi conduzido o processo de compostagem. É por isso um processo que depende de alguma aprendizagem e experiência para produzir composto de qualidade. Existem à venda produtos comerciais a que os fabricantes chamam composto, no entanto a maioria não tem a mesma qualidade de um verdadeiro composto, são frequentemente detritos florestais parcialmente decompostos (os detritos florestais são ricos em lenhina, um componente mais difícil de decompor) e turfa. Embora sejam uma boa solução para quem não possa ou não saiba fazer composto, são uma alternativa menos interessante. 

Os sites que se seguem explicam as técnicas e os princípios básicos do processo:

Como fazer compostagem

Fazendo compostagem

Planeta orgânico

A horta da formiga

Compost guide

Composting

Composting fundamentals

Composting Resources

How to compost

Recycle now

 

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